quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PEQUENO TRECHO DO FILME ZERO DE CONDUTA - JEAN VIGO

video

SERVIÇO:

ZERO DE CONDUTA 
DIREÇÃO: JEAN VIGO
DURAÇÃO: 41 MINUTOS
ANO: 1933

DIA 02 DE SETEMBRO DE 2011 

1ª SESSÃO: 16 HORAS
2ª SESSÃO: 19 HORAS

LOCAL: MINI-AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA DO IFPA
AV. ALMIRANTE BARROSO - ENTRE MARIZ E BARROS E TIMBÓ

ENTRADA FRANCA!!!


terça-feira, 30 de agosto de 2011



UMA FLOR NEGRA NO JARDIM FLOWER POWER HIPPIE
Fernando Campos

Um pesadelo amargo e descolorido. Deformado por intensas circunstâncias como a morte inexplicável de J. F. Kennedy, a Guerra do Vietnã e a especulação de conflitos nucleares entre E. U. A e U. R. S. S. Os Doors – o nome foi retirado, ou percebido, de um poema de William Blake: “Se as portas da percepção fossem abertas tudo apareceria como realmente é: INFINITO” – Um corpo estranho no American Way of Life. Estranhos até mesmo para aquele tempo. Uma banda de Hard Rock com matizes de psicodelia e Blues amparados por uma pulsação lisérgica. Um som vigoroso e bruto. Mas as vezes, delicado como o som do grito das borboletas. Uma perfeita fusão de imagem, música e verso.
Uma verve poética que traduzia visões do Céu e do Inferno (como em William Blake). Abismos e buracos negros. Tangenciando a ESSÊNCIA – ou o SER – através do uso excessivo dos ácidos e psicotrópicos (como em Blake, novamente: “O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.”) chocando-se contra a dolorosa EXISTÊNCIA. As vezes como uma tentativa de iniciar um diálogo. Outras vezes parecendo somente estabelecer uma idéia de ruptura definitiva e necessária. Desespero e abandono. Uma reivindicação do direito de não concordar  com  o absurdo que o mundo representava. Reagir contra tudo. Expor a fraqueza e a fragilidade do ser humano diante do vazio da insignificância e absoluta nulidade.
O primeiro álbum dos Doors, de 1967, é homônimo. A música é estranha para os padrões de Rock’N’Roll sessentista. O conteúdo das letras, bem como os temas abordados eram considerados inusuais e as vezes mesmo bizarros: o vulto recorrente da Morte, Liberdade, Sexo, Viagens Lisérgicas. Numa mesma letra é possível vislumbrar os povos indígenas da América Selvagem e a cultura grega. Édipo Rei revisitado na figura de psicopata da cultura americana de Serial Killer. The End é um pesadelo em Branco e Preto,Bem cinematográfico, pois Jim Morrison nutria um forte vinculo com o cinema, tendo mesmo realizado, participado e idealizado alguns projeto nesse código de expressão, que muito influenciou a maneira como praticava a poesia. Em suas letras e poemas sempre surgiam garotas lindas (quase sempre uma: Pamela Courson, sua “parceira cósmica”, como costumava dizer), amores selvagens, répteis, longas e sinuosas HIGHWAYS. O Leste e Oeste. Imagens de nascimento e morte. O nascer do dia e o pôr-do-sol. Gêneses e Apocalipse, tudo canalizado pela visão alterada dos sentidos submetidos a experiência com drogas lisérgicas, sintéticas como L. S. D. e naturais como Cactus Peyote cultuado pelos índios que viviam no deserto selvagem e mágico.
É meio lugar comum afirmar que os Doors inauguraram um tipo de rock com amplas possibilidades expressivas. As referencias de Jim Morrison eram vastas e incomuns para bandas de rock. Essa leitura dele é perfeitamente aceitável e é peculiar a sua personalidade. Desde garoto, Jim manifestava interesse agudo por coisas obscuras e inexplicáveis, tais como Xamanismo, Cultura Primitiva e Demonologia. A sua mente criativa aliava imaginação, razão e delírio. Isso influenciava todo resultado daquilo que iria preencher os espaços vazios dos seus inúmeros cadernos de notas, onde escrevia indiscriminadamente trechos do que viria a se tornar ensaios filosóficos, peças de teatro, poemas e letras de música. Além de críticas, argumentos e até auto-entrevistas, que contemplavam diversas áreas do conhecimento, indo da arte e cultura grega, a ancestralidade histórica dos povos primitivos, filosofia clássica e o Tao da Física de Fritjof Capra. Tudo o interessava. Aos 17 anos, Jim Morrison, já lia e compreendia textos da complexidade de autores como Franz Kafka, Aldous Huxley, Nietzsche, a poesia de Rimbaud e Baudelaire, Maldoror, Nerval e Willian Blake, e os lia com uma freqüência e intensidade nervosa. Com eles aprendeu a observar e parece ter concluído que a existência é uma fachada. Ou apenas uma fração do todo: o infinito. Compreendeu que estar vivo era como estar submetido a pressão de um oceano de dor e que a morte representava a suave liberdade.
Todo esse volume de leituras e estudos dedicados vieram a transformar Jim Morrison num tipo de intelectual-letrado multifacetado, num nível diferenciado de erudição (como um beatnik desbundado e kamikaze), numa esfera de manifestação constante que a figura pública de ídolo do rock proporcionava, ou seja, uma resposta rápida e imediata. Mais próxima da realidade e consciência do seu tempo. Ele mesmo classificava os membros da banda como agentes “políticos eróticos”. Nada comparado as mentes exíguas e congeladas pelo ar-condicionado das salas das universidades. Era um homem de atividade freqüente. De ações diárias. Das batalhas de rua, bem como A HISTÓRIA EXIGIA NAQUELA DÉCADA de convulsão social. De grandes eventos sócio-políticos e culturais que explodiam como Napalm se espalhando pelas cidades da Europa e causando uma onda de influência que atingiu o mundo todo.
Não se pode deixar de mencionar a espinha dorsal dos Doors, responsável pela moldura sonora que os destacavam das inumeráveis bandas da cena de rock dos anos 1960. Os Doors realmente soavam – e SOAM – mágicos. Fora do tempo. É uma pulsação que não se reproduz. É única. Eles funcionavam juntos. Ray Manzarek, formado em piano clássico. Robbie Krieger, que mesclava influências clássicas e populares num estilo flamenco, sui generis (não usava palheta) além de flertar com a música indiana (vide “The End” e “Light My Fire”) e finalmente, o terceiro elemento, John Densmore, baterista de influência jazzista que tocava no estilo do genial Elvin Jones, o baterista de John Coltrane. Todos detinham conhecimentos que iam da música folclórica americana, passando pelas raízes Folk, música brasileira como a Bossa Nova, que influenciou diretamente a batida da música “Break on Through”, indo até a música oriental, como a indiana, tendo mesmo, os três músicos freqüentado aulas com Ravi Shankar, um importrante músico da Índia muito conhecido no ocidente. Contudo, todos eles, incluindo Jim Morrison, que não sabia tocar instrumento algum, tinham uma paixão musical permanente em comum: o Blues.
No palco os integrantes da banda se transformavam num mecanismo simbiótico perfeito. Alcançavam níveis criativos impressionantes. Nada era igual. Nunca uma apresentação era igual a outra. Esmeravam-se em improvisos, numa espécie de “FREE-ROCK” que sempre pareciam naturais sem interferir no resultado final das músicas. Todos se encontravam num transe coletivo que invadia a atmosfera das salas de audiências atingindo o público e levando o concerto quase ao patamar simbólico de um evento religioso. Jim Morrison cantava. Sussurrava. Gritava como uma fêmea com extrema lascívia. Vociferava violentamente. Caia. Debatia-se. Declamava poemas longos e intercalava-os a discursos políticos e os unia a Blues tradicionais da cultura negra americana. Logo depois incendiava tudo incitando a platéia a reagir. Denunciando a sua inércia, neutralidade e alienação. Provocava, dizendo que eles deveriam decidir-se. Tomar uma atitude. A partir desse momento, geralmente, havia um rompante de reação e como num imenso teatro grego, assumia o papel de Dionísio. Transfiguração do teatro clássico. Convertido violentamente em teatro da crueldade de Artaud. Esse seu comportamento gerava um frenesi gigante que levava tudo a sucumbir num único movimento de destruição para garantir o real objetivo, através de sua ação expressiva, o efeito de uma BELA CATARSE. Como deveria ser... como tem de ser SEMPRE toda EXPRESSÃO DE ARTE e a EXISTÊNCIA e a VERDADE. Esta é a função básica da arte ou pelo menos deveria ser assim, ou seja, haver um propósito político para a arte. O tempo de fruição estética típico da aristocracia burguesa já acabou. Questionar. Argumentar e se isso falhar, então, é necessário DESTRUIR TUDO e começar de novo.
Uma bailarina russa do balé Bolshói, que esteve no Brasil no mês de agosto, disse em uma entrevista, uma coisa que me marcou muito, que me fez pensar durante a semana toda e que acabou influenciando a escrita deste texto: “Dançar se traduz num exercício de dor causada pelos exaustivos movimentos de repetição executados durante os ensaios. Dança é DOR. Entretanto, PREFIRO A DOR, pois essa me faz sentir que estou VIVA!” Ela disse tudo.
Sobre o filme de Oliver Stone podemos dizer que é uma evocação mítica e ficcional daquilo que a música, os Doors, Jim Morrison sua poesia e postura existencial e o contexto histórico dos anos de 1960 representavam para ele e como isso se manifestou como uma influencia capital na sua personalidade e em seu trabalho com o cinema. Oliver Stone recriou ou criou, ou até mesmo inventou toda uma atmosfera, ambiente e situações com a intenção não de descrever detalhadamente os passos de Jim Morrison ou o processo criativo da banda, mas concedeu contornos místicos e míticos àquilo que houve de factual. O ideal pelo real. Ele usou a figura de Jim para reargumentar sobre feridas e pesadelos, de ontem e de hoje que se confundem no tempo. E ele consegue atualizar, é obvio, não foi muito difícil, Jim Morrison estava a frente daquele tempo e deste também.     

                        

terça-feira, 23 de agosto de 2011

TRAILER DO FILME "THE DOORS" DE OLIVER STONE


ASSISTA O FILME COMPLETO NA SESSÃO DO PINDORAMA CINE-EDUCAÇÃO

SEXTA-FEIRA DIA 26 DE AGOSTO - 1ª SESSÃO - 16 HORAS
                                             2ª SESSÃO - 19 HORAS
NO MINI-AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA DO IFPA
AV.: ALMIRANTE BARROSO - ENTRE TIMBÓ E ESTRELA (MARIZ E BARROS)

ENTRADA FRANCA!!!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011


Filme, Música e Experimentação: The Velvet Underground & Nico ou Andy Warhol e sua 16 mm na Factory
André Leite Ferreira, Fernando Campos

No final da década de 1980 o punk era tido como um movimento radical, o que dizer então de uma geração que na década de 1960 vivia o caos dos anos Pós-Guerras Mundiais e inicio de uma Guerra Fria, pautada no controle ideológico e cultural. O capitalismo devora o corpo e a alma. Viva o Consumo.
Andy Warhol percebia as coisas além de seu próprio tempo, devemos, no entanto, lembrar que antes de Andy, Walter Benjamin já havia percebido os indícios do caminho que a arte iria trilhar na era da reprodutibilidade. Assim, ele foi um visionário da Pop Art que alguns anos mais tarde Warhol vai criar.
Andy Warhol era uma bomba que explodiu no lugar certo e na hora certa e que puxava para si as ações que favoreciam um certo coletivo que ele apadrinhava. Entretanto, eram indivíduos também radicais como ele, bastava olhar o Velvet e perceber as figuras de Lou Reed e John Cale atuando alucinadamente com seus delírios e fúria.
A seu modo o Velvet foi revolucionário, ou melhor, contribui diretamente para a produção de uma revolução estética e comportamental, que ainda hoje se reflete no modo como uma determinada camada da juventude vive e percebe o mundo ao seu redor.
Esta é uma experiência de extrema perversão onde o que vale é o sentido. Calças, botas de couro e chicotes. Tudo ao extremo. Tudo muito intenso. Para muitos dessa época tudo passou assim, tão de repente, porém, o sol ainda brilha.
A barbárie pós-moderna. Guitarras distorcidas gerando barulhos incompreensíveis. Canções construídas com sussurros, gemidos, gritos. Puro experimentalismo e ousadia. Eles não sabiam cantar, mas eles cantavam (E ENCANTAVAM de uma maneira bem peculiar!). Eles não sabiam tocar, mas tocavam (até encontrar nossos corações até hoje!), eles não sabiam pintar, mas conheciam a técnica do silk screem, ou serigrafia, como queiram. E viva a reprodução da imagem: Marilyn Monroe, Mao Tse-Tung, Elvis, etc.
A fúria da juventude não podia mais ser contida. Não existia mais controle e o céu podia desabar. O tempo era de tédio. E as drogas e o sexo e principalmente o ROCK’N’ROLL eram como antídotos indispensáveis para qualquer jovem da época. A própria realidade era alucinante e muito barra-pesada. A heroína levou vários à morte e outros tantos a enlouquecer. Ainda hoje se você andar com uma camiseta com a reprodução da famosa capa do disco the velvet underground and Nico, que traz uma banana, serigrafada por Andy worhol, podemos perceber o choque no olhar das pessoas e isso é só o começo do absurdo que reproduz-se ainda hoje.
O cinema já havia chegado a limites extremos de experimentações, mas é com a popularização das câmeras de mão que o radicalismo experimental dos vídeos chega a situações inimagináveis. Andy radicaliza com sua 16 mm e transforma essas experimentações em cru manifesto dos sentidos, choque mental e puro delírio.
Em velvet underground e Nico, vídeo de warhol, não podemos perceber o filme, é um vídeo-ensaio do grupo velvet underground e Nico na factory, onde o ensaio é finalizado pela presença da policia. Motivo: denuncia de barulho demasiado (um grande elogio em se tratando de V.U). Imagens em branco e preto, movimentadas pelo som da banda. Não existe diálogo, somente frases entre a música e as imagens. Ora estáticas, ora em movimentos. Sem obedecer nenhuma técnica ou alcançar qualquer nível de precisão, sendo esta imperfeição a própria técnica, ou seja, é a impressão de Andy sobre o grupo, um olhar sobre o cotidiano da efeverscência novaiorquina, que é o resultado expressivo objetivado por todo o grupo.
The Velvet Underground & Nico é uma experiência radical. Uma bomba que revolucionou a década de 1960 e que deixou seu rastro na vida de muita gente. Andy Warhol foi além do convencional padrão da arte e extrapolou os limites da experimentação, quase que só pelo prazer de brincar e explodir cabeças ocas na avenida. No auge do delírio o monstro acordou e devorou todo mundo, o sol ainda brilha, mas agora de forma muito mais radical e muito mais violenta. Viva a experimentação e o absurdo. Viva a loucura.  





quarta-feira, 17 de agosto de 2011

TRAILER DO FILME VELVET UNDERGROUND DE ANDY WARHOL


CONFIRA O FILME COMPLETO NESTA SEXTA DIA 19 DE AGOSTO
NO PINDORAMA CINE-EDUCAÇÃO
NO MINI-AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA DO IFPA
AV. ALMIRANTE BARROSO - ENTRE MARIZ E BARROS E TIMBÓ
1ª SESSÃO - 16 HORAS
2ª SESSÃO - 19 HORAS 


quarta-feira, 10 de agosto de 2011


PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES DA LATA DO LIXO
André Leite Ferreira

Três acordes mágicos e nunca estivemos tão perto e tão distantes da liberdade antes de tudo isso. O caos urbano, a cidade monstro de pedra e cal engolindo seus filhos, devorando sempre tudo. E tudo sem parar. Eis que eu vos apresento a flor que foi cuspida do asfalto. Flor, esta, que também foi escarrada para jazer na lata fétida do lixo dos esnobes burgueses falidos de memória e história. Eis que eu lhes apresento o Punk, o movimento mais radical de contracultura desde os Futuristas, Dadaístas. Desde os Lúditas, que o mundo já mais imaginou em conceber a verdadeira pedra no meio do caminho dos conformados presunçosos das fétidas cidades do planeta.
Kamikazes encantados, anjos rebeldes de jaquetas e rebites, loucos alucinados de cabelo espetado, calças rasgadas, coturnos e consciência viva, filhos bastardos da cidade e do caos, cultura de combate agressivo, sem passividade, ou achismos. A botinada é certeira no meio das fuças do sistema coagulado e amorfo cheio de si. Isto é apenas o começo do fim. 
O livro de Antonio Bivar O que é Punk, lançado pela editora brasiliense, traz na contracapa da sua 4ª edição de 1988, a seguinte definição de Punk: “Punk, antes de ser música, é uma atitude. É um modo de dizer: NÓS NÃO NOS IMPORTAMOS. Punk é kamikaze. Sid Vicious foi kamikaze. Foi, em seu tempo, a encarnação do punk. Foi o próprio”.   Apesar de não concordar com toda a definição, por óbvias questões políticas, concordo quando, ele diz que o punk é uma atitude, antes de ser música, assim como quando ele coloca o ser punk como um kamikaze. Ser punk é sempre estar em busca do infinito quase suicídio. Pois o punk surge de uma necessidade de extravasar todo o niilismo que a juventude, naquele momento, estava sentindo diante de um mundo consumido pelo medo e o terror de duas Guerras Mundiais e da chamada Guerra Fria, o mundo estava ruindo, o caos se expandiu sem controle.
O punk é o produto de uma sociedade falida. A pós-modernidade fragmentou as identidades e em meio aos cacos surgem estes seres. E estranhamente, espinhosos e rudes. Mas também, extremamente sensíveis e coerentes guerrilheiros das causas perdidas. Os verdadeiros viajantes das galáxias. Cosmopolitas por natureza. Os fantasmas do pós-guerra. Os herdeiros das ruínas e das cidades destroçadas. Capazes de sobreviverem nos esgotos. Filhos de Genet e Artaud. Anjos de asas negras e sexo aflorado, no fim do mundo, pois o último orgasmo se prolonga. O gozo é o paraíso. As ruas também.
É no bojo deste mundo pós-moderno que o punk surge. Ácido e rápido, como a vida. Apenas um rastro. Nesse sentido, podemos colocá-lo como um movimento radical e agressivo, que não perdoa ninguém, nem a si mesmo. Já que não existem inocentes. Antonio Bivar ilustra o capítulo intitulado IMPLOSÃO/EXPLOSÃO do livro O que é Punk com uma frase curta e grossa de Johnny Rotten, que ilustra muito bem o que acabamos de expor acima: “Nós não estamos interessados em música. Estamos interessados em caos”. E assim, o punk se alastra pelo planeta, devorando e sendo devorado pelo caos, o fim está próximo.
De volta à realidade o documentário Botinada – A origem do Punk no Brasil, de Gastão Moreira, ex-VJ da MTV, é na verdade um recorte do punk no país. Digo recorte, porque existiam punks em vários outros estados neste mesmo período (1976-1984). O problema era que havia pouco contato entre os mesmo. Além de um bairrismo, que, diga-se de passagem, existe até hoje entre os pumks brasileiros. Entretanto, penso que não interessa diretamente onde o punk surgiu no Brasil ou mesmo no mundo, o que importa é que ele surgiu. E vive até hoje. PUNKS NOT IS DEAD. O punk não morreu, nem vai morrer tão cedo, mesmo que o mundo continue quebrado. O Punk é Duro e continua a se alastrar.
Em pouco mais de 70 minutos o documentário traz alguns momentos históricos importantes do punk, principalmente do punk paulistano. Contudo, existe no material extra, algumas entrevistas dadas por punks de Brasília e do Rio Grande do Sul, que viveram o momento retratado no documentário. Porém, esse trabalho é um registro importante e básico para quem quer conhecer o punk no Brasil. Além de imagens históricas, o mesmo traz também, entrevistas atuais de quem estava envolvido no processo. O mundo ainda não acabou.
O mundo ainda não acabou, o punk também não. O espírito DO IT YOURSELF continua vivo e aceso. Continuamos a fazer nossas próprias canções. Nossos próprios shows e eventos. Nossos zines e camisetas, incentivando a consciência de luta e de classe, divulgando a ANARQUIA e não a desorganização. Mas, tentando fomentar uma idéia de auto-organização como forma de mudança e de revolução. É, o mundo ainda não acabou. Mas, o primeiro passo já foi dado, pois, a cegueira do homem é extremamente crônica.
Desde O COMEÇO DO FIM DO MUNDO, o festival, nada mais foi como antes, nem mesmo o PUNK no Brasil e no mundo. O mundo ainda não acabou, mas o começo do fim do mundo, já começou, isso só pra não dizer que não falei das flores na lata do LIXO.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

ANIVERSÁRIO DE UM ANO DO PINDORAMA CINE-EDUCAÇÃO
BOTINADA - A ORIGEM DO PUNK NO BRASIL


SERVIÇO:
BOTINADA - A ORIGEM DO PUNK NO BRASIL
DIREÇÃO: GASTÃO MOREIRA
DURAÇÃO:75 minutos
ANO: 2006
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DO GRUPO 
OS FEMINISTAS - GRUPO DE PESQUISA EM ARTE 
DO CORREDOR POLONÊS ATELIER CULTURAL
COM A PERFORMANCE-SHOW - NUNCA FOMOS TAO PUNKS!!!
ÀS 18 HORAS

DIA 12 DE AGOSTO DE 2011
1ªSESSÃO - 16 HORAS, 2ªSESSÃO - 19 HORAS
NO MINI-AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA DO IFPA
AV. ALMIRANTE BARROSO - ENTRE TIMBÓ E MARIZ E BARROS

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

SID & NANCY: UM ROMANCE PUNK
Fernando Campos

Um frenesi niilista começava a tomar forma contrapondo o artificial delírio da sociedade de cultura burguesa representada por uma bem comportada e hipócrita classe média que jazia incólume sob uma redoma que a separava convenientemente do crônico caos da rejeitada classe operária pobre e rude dos sub-subúrbios londrinos. À margem desse contexto – ou mais próximo disso!- surgem os SEX PISTOLS. Ou pelo menos desse cenário saem os membros controversos e cínicos da banda que para muitos é responsável por desencadear o Movimento Punk europeu em sua concepção estético-musical e comportamental, obviamente, guardadas as devidas proporções. Entretanto essa é uma questão muito complexa, o que demanda um conteúdo mais amplo e essa é uma outra história.
A cólera Punk objetivava agredir a estanque realidade cultural européia dos anos de 1970. A pasmaceira idílico-pacifista da era HIPPIE. Musicalmente o Rock estava entre a grandiloqüência erudita do Rock Progressivo e a crise de identidade dos mega astros do Rock’in’Roll, além da crescente onda Disco, totalmente comercial e destituída de valor criativo, mera distração musical. Muito embora, muitos dos astros de Rock da época tenham flertado com essa modalidade. Nesse ponto o Punk pode ser considerado um elemento de ruptura com um forte apelo iconoclasta.
A desilusão urbana diante da confirmação do estertor da farsesca civilização Ocidental se exteriorizava como um esporro impetuoso manifestado através do comportamento violento dos punks numa euforia insana. O tempo de suas vidas não era medido por nenhum relógio. Ele desaparecia sem ser percebido. Restavam ruínas de0 fragmentos que (de)formavam distâncias confusas entre os eventos.Tudo o que importava era o TEMPO PRESENTE. O AGORA. Era um pesadelo artificial, mas REAL. Nada de sonho. Nada de futuro.
A paisagem da cidade era uma melancólica combinação PRETO, BRANCO e CINZA. Uma reprodução de imagens em cópias Xerox que expressava bem os contrastes sociais percebidos na concretude das superfícies duras de prédios, ruas e casas, que muito se assemelhavam a um conjunto retilíneo de simetria mórbida como uma necrópole.
Desse meio é que surge Sid Vicious. Um modelo de autodestruição sem qualquer sinal de autocontrole. Com uma percepção demasiado básica e um comportamento instintivo que o impelia contra tudo aquilo que a sociedade britânica representava, ou seja, tudo aquilo que ele desprezava. Tudo a sua volta era considerado tedioso. Vivia repetindo: TÉDIO! TÉDIO! TÉDIO! Chocava-se contra tudo. Literalmente, lançava seu corpo contra todas as coisas e contra todos, às vezes sem fazer nenhuma distinção. Vociferando impropérios com freqüência. Constatação da falta de perspectiva de identidade cultural com aquele momento histórico tão vazio. Estava num processo deliberado de desintegração motivado pelo desequilíbrio da sociedade industrial. É como se ele tivesse realizado uma auto-análise relâmpago e feito a seguinte pergunta: “Como fazer escolhas quando não existe mais do que uma opção?” Então parece decidir-se: “Se a vida é curta então eu vou viver RÁPIDO”.
Com a saída de Glen Matlock da banda, Sid Vicious assumiu o contra-baixo e tornou-se o núcleo expressivo central dos Sex Pistols. É nesse momento que aparece Nancy Spungen que torna-se a namorada dele, e a partir daí se potencializa (elevada a máxima potência) o desregramento psico-físico-emocional dos dois desajustado pelo uso freqüente e de volumosas quantidades de heroína que para o relacionamento deles viria a se tornar o catalisador e sustentáculo da permanência transitória no mundo.
No filme de Alex Cox isso fica bem evidente. Os pequenos conflitos casuais evoluíram tornando-se cada vez mais violentos dentro de um panorama doentio de fruição artificial dos efeitos das drogas sobre os sentidos o que converteu-se no ato final com a morte de Nancy.
Sid e Nancy é um drama acima de tudo. O drama de dois jovens que diante da explosão do Movimento Punk se lançaram para dentro do abismo numa queda em alta velocidade. Onde suas vidas não tiveram intervalos de lucidez. Nem seqüências. Um despropositado niilismo existencial, sem nenhuma consciência do que isso poderia significar. As vezes pareciam ingênuos, quase infantis (Nego-me ao apelo melodramático barato de chamá-los de vitimas) diante de uma sociedade que falha ao oferecer garantias de Justiça, Igualdade e Liberdade, o que leva a todos a forjar isso a sua própria maneira. Fazer por si mesmo, “DO IT YOURSELF”. No final Sid e Nancy reconhecem a sua incapacidade de lidar com a situação. Portanto, pendem vazios para fazer a única escolha buscando a única saída para a sua dor e desespero: a Morte. Pois para quem EXISTE o pior não é morrer, mas, permanecer vivo.
É evidente que não se pode ignorar a contribuição de Alex Cox, uma testemunha (não ocular) fiel daquilo o que pôde ouvir e assistir e até conviver e ainda tirar dos depoimentos de testemunhas oculares (fiéis). Um punk diletante conservando a característica de insubmisso, que expõe os fatos com extrema visceralidade e verossimilhança. Porém existe no filme um momento que parece ser conseqüência do criativo experimentador latente que repousa no seu atormentado gênio. Uma expressão que demonstra que a BELEZA é uma intervenção abstrata que está distante de ser convencionalizada pela falida tradição artística. A cena do beco em que o lixo aparece caindo em câmera lenta, em meio a sombras pesadas, que parece estar gravitando entre o céu poluído dos guetos nova-iorquinos e o chão, num tipo de lirismo sujo absolutamente adequado a proposta estética Punk.    


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

TRAILER DO FILME SID E NANCY


SERVIÇO:

FILME : SID E NANCY - O AMOR MATA
DIRETOR: ALEX COX
DURAÇÃO: 112 MINUTOS
ANO: 1986

DIA 05 DE AGOSTO DE 2011
1ªSESSÃO - 16 HORAS
2ªSESSÃO - 19 HORAS

LOCAL: MINI-AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA DO IFPA
AV. ALMIRANTE BARROSO - ENTRE TIMBÓ E MARIZ E BARROS

ENTRADA FRANCA!