terça-feira, 9 de agosto de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
SID & NANCY: UM ROMANCE PUNK
Fernando Campos
Um frenesi niilista começava a tomar forma contrapondo o artificial delírio da sociedade de cultura burguesa representada por uma bem comportada e hipócrita classe média que jazia incólume sob uma redoma que a separava convenientemente do crônico caos da rejeitada classe operária pobre e rude dos sub-subúrbios londrinos. À margem desse contexto – ou mais próximo disso!- surgem os SEX PISTOLS. Ou pelo menos desse cenário saem os membros controversos e cínicos da banda que para muitos é responsável por desencadear o Movimento Punk europeu em sua concepção estético-musical e comportamental, obviamente, guardadas as devidas proporções. Entretanto essa é uma questão muito complexa, o que demanda um conteúdo mais amplo e essa é uma outra história.
A cólera Punk objetivava agredir a estanque realidade cultural européia dos anos de 1970. A pasmaceira idílico-pacifista da era HIPPIE. Musicalmente o Rock estava entre a grandiloqüência erudita do Rock Progressivo e a crise de identidade dos mega astros do Rock’in’Roll, além da crescente onda Disco, totalmente comercial e destituída de valor criativo, mera distração musical. Muito embora, muitos dos astros de Rock da época tenham flertado com essa modalidade. Nesse ponto o Punk pode ser considerado um elemento de ruptura com um forte apelo iconoclasta.
A desilusão urbana diante da confirmação do estertor da farsesca civilização Ocidental se exteriorizava como um esporro impetuoso manifestado através do comportamento violento dos punks numa euforia insana. O tempo de suas vidas não era medido por nenhum relógio. Ele desaparecia sem ser percebido. Restavam ruínas de0 fragmentos que (de)formavam distâncias confusas entre os eventos.Tudo o que importava era o TEMPO PRESENTE. O AGORA. Era um pesadelo artificial, mas REAL. Nada de sonho. Nada de futuro.
A paisagem da cidade era uma melancólica combinação PRETO, BRANCO e CINZA. Uma reprodução de imagens em cópias Xerox que expressava bem os contrastes sociais percebidos na concretude das superfícies duras de prédios, ruas e casas, que muito se assemelhavam a um conjunto retilíneo de simetria mórbida como uma necrópole.
Desse meio é que surge Sid Vicious. Um modelo de autodestruição sem qualquer sinal de autocontrole. Com uma percepção demasiado básica e um comportamento instintivo que o impelia contra tudo aquilo que a sociedade britânica representava, ou seja, tudo aquilo que ele desprezava. Tudo a sua volta era considerado tedioso. Vivia repetindo: TÉDIO! TÉDIO! TÉDIO! Chocava-se contra tudo. Literalmente, lançava seu corpo contra todas as coisas e contra todos, às vezes sem fazer nenhuma distinção. Vociferando impropérios com freqüência. Constatação da falta de perspectiva de identidade cultural com aquele momento histórico tão vazio. Estava num processo deliberado de desintegração motivado pelo desequilíbrio da sociedade industrial. É como se ele tivesse realizado uma auto-análise relâmpago e feito a seguinte pergunta: “Como fazer escolhas quando não existe mais do que uma opção?” Então parece decidir-se: “Se a vida é curta então eu vou viver RÁPIDO”.
Com a saída de Glen Matlock da banda, Sid Vicious assumiu o contra-baixo e tornou-se o núcleo expressivo central dos Sex Pistols. É nesse momento que aparece Nancy Spungen que torna-se a namorada dele, e a partir daí se potencializa (elevada a máxima potência) o desregramento psico-físico-emocional dos dois desajustado pelo uso freqüente e de volumosas quantidades de heroína que para o relacionamento deles viria a se tornar o catalisador e sustentáculo da permanência transitória no mundo.
No filme de Alex Cox isso fica bem evidente. Os pequenos conflitos casuais evoluíram tornando-se cada vez mais violentos dentro de um panorama doentio de fruição artificial dos efeitos das drogas sobre os sentidos o que converteu-se no ato final com a morte de Nancy.
Sid e Nancy é um drama acima de tudo. O drama de dois jovens que diante da explosão do Movimento Punk se lançaram para dentro do abismo numa queda em alta velocidade. Onde suas vidas não tiveram intervalos de lucidez. Nem seqüências. Um despropositado niilismo existencial, sem nenhuma consciência do que isso poderia significar. As vezes pareciam ingênuos, quase infantis (Nego-me ao apelo melodramático barato de chamá-los de vitimas) diante de uma sociedade que falha ao oferecer garantias de Justiça, Igualdade e Liberdade, o que leva a todos a forjar isso a sua própria maneira. Fazer por si mesmo, “DO IT YOURSELF”. No final Sid e Nancy reconhecem a sua incapacidade de lidar com a situação. Portanto, pendem vazios para fazer a única escolha buscando a única saída para a sua dor e desespero: a Morte. Pois para quem EXISTE o pior não é morrer, mas, permanecer vivo.
É evidente que não se pode ignorar a contribuição de Alex Cox, uma testemunha (não ocular) fiel daquilo o que pôde ouvir e assistir e até conviver e ainda tirar dos depoimentos de testemunhas oculares (fiéis). Um punk diletante conservando a característica de insubmisso, que expõe os fatos com extrema visceralidade e verossimilhança. Porém existe no filme um momento que parece ser conseqüência do criativo experimentador latente que repousa no seu atormentado gênio. Uma expressão que demonstra que a BELEZA é uma intervenção abstrata que está distante de ser convencionalizada pela falida tradição artística. A cena do beco em que o lixo aparece caindo em câmera lenta, em meio a sombras pesadas, que parece estar gravitando entre o céu poluído dos guetos nova-iorquinos e o chão, num tipo de lirismo sujo absolutamente adequado a proposta estética Punk.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
TRAILER DO FILME SID E NANCY
SERVIÇO:
FILME : SID E NANCY - O AMOR MATA
DIRETOR: ALEX COX
DURAÇÃO: 112 MINUTOS
ANO: 1986
DIA 05 DE AGOSTO DE 2011
1ªSESSÃO - 16 HORAS
2ªSESSÃO - 19 HORAS
LOCAL: MINI-AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA DO IFPA
AV. ALMIRANTE BARROSO - ENTRE TIMBÓ E MARIZ E BARROS
ENTRADA FRANCA!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
R E L E A S E
Exposição de fotografias “CONFESSO QUE VI”
- de Tchello d’Barros
1 – INFORME
2 – A EXPOSIÇÃO
3 – TEXTO CRÍTICO
4 - DEPOIMENTO DO AUTOR
5 - SERVIÇO
6 – SOBRE O AUTOR
7 – CONTATOS
8 - ANEXOS
1 – INFORME
O Espaço Cultural Corredor da Amazônia convida para a exposição de fotografias Confesso Que Vi, do artista visual e escritor brasileiro Tchello d’Barros.
2 – A EXPOSIÇÃO
Conceitos
A mostra apresenta uma seleção de 30 fotografias (em cores) selecionadas da série Confesso Que Vi, que Tchello d’Barros desenvolve há cinco anos, clicando em suas viagens pelo Brasil e Exterior. São percepções diversas, reveladas em breves ensaios, como as Mãos Que Dizem, composta por imagens de mãos, flagradas em ações cotidianas; a série Beira Margem, com fotografias de pessoas absortas em seus momentos lúdicos em praias tropicais; ou ainda a série Bákkhos em Belém, ensaio registrando ensaios de atores da cena teatral belenense. A opção pela cor como elemento compositivo dasséries propõe também um possível diálogo com a obra de fotógrafos referenciais para o autor, como David Lachapelle, Guido D'Argentini e Mario Testino, que também colocaram o ser humano como protagonista de seus ensaios fotográficos.
3 – TEXTO CRÍTICO
FOTOGRAFAR A VIDA: CONFESSO QUE VIVI
por Renato Gusmão*
“Confesso que vivi.” Pablo Neruda
Há pessoas que de alguma forma ou por algum modo registraram tudo em todas as nuanças de suas passagens por inúmeros lugares, mesmo que na memória, fixando suas emoções e sentimentos e bem traduzem a frase confesso que vivi. Sempre para essas pessoas, são momentos inesquecíveis e diz-se ser um privilégio. Com Tchello d’Barros não é diferente, porém, além da emoção, carrega em suas mãos uma câmera, e em seus olhos, luz dos lugares por onde passa, e em sua transpiração milhões de idéias, que as descreve para sempre em registros de cores, em poesia.
Fotografar é dizer poemas da alma, é luz do tempo no tempo, é marcar dentro do pensamento o vivido. Presente para sempre. Arte de dizer através da luz, com escrita perfeita, traduzindo-a em verdade. Imagem nua e crua. A importância do registro fotográfico no tempo atual é de muita relevância, pois o artista se consagra através da sua leitura ótica, numa forma instantânea, pela sensibilidade e capacidade de transformar aquele momento numa informação geral e de várias interpretações. Então aquele momento é próprio, é de sua autonomia repassando a verdade do que ele vê para sua própria verdade e posteriormente para o entendimento das pessoas. Aí é que o artista se intitula fotógrafo e o espectador dá-lhe o título de Poeta-Luz.
A cada clic um pensamento, a cada imagem uma poesia. Tanto nas cores, como também nos gestos de cada personagem. Esses, com suas inocências lúdicas, sem posar, porém, posados no zoom, no olhar do artista captador. Com exuberância, fez-se cada registro dentro da simplicidade da paisagem que traz o azul para dentro e para fora de cada olhar. A infância do fotógrafo estava ali, acompanhando-o nas idas e vindas, a cada plainada de seus papagaios de papel, dominados pelas pequenas mãos e contemplados por firmes olhares e pelos azuis céu e mar. Em beira de mar se faz música com o horizonte logo ali, além. Dentro do entendimento poético necessário, há uma combinação extrema que se pressupõe proposital ao desmascaro da realidade do momento, em suaves tonalidades de roupas, paredes, portas e janelas. É quando ‘a arte imita a vida’, nos tons esmaltados de unhas e de mãos no gatilho, transferindo tudo para o olhar assustado e de esperança dos atores em plena cena.
Há um exagero de bom gosto e poesia quando a luz dá às cores sua plenitude e o clic do fotógrafo atinge pessoas em cada momento registrado nesta mostra Confesso Que Vi, assim como Pablo Neruda descreveu em versos suas viagens...
Esse fotógrafo é além do que vive, é além do que vê. Constrói, desconstrói, afirma e desmistifica todas as lendas e sobre qualquer assunto. Concilia, auxilia, soma, sem pôr nem tirar. Quando o assunto é arte, Tchello d’Barros está dentro dela, fazendo, causando, se utilizando. Sua produção não tem fim, é um filme de longa metragem com infinitas partes, fotografada do cume da sabedoria e escrita com todas as palavras.
* Renato Gusmão - Belém PA – julho 2011
Poeta, compositor e produtor cultural
In: Texto de apresentação da exposição fotográfica “Confesso Que Vi”, de Tchello d’Barros, realizada no Corredor da Amazônia, em Belém PA.
4 - DEPOIMENTO DO AUTOR
“A série fotográfica Confesso Que Vi é a primeira mostra que realizo com fotografias em cores. Considero um trabalho pictórico, decorrente de minha educação visual iniciada na Pintura. Mas é ainda um relatório visual de andanças, de viagens, deambulações, um olhar de viajante, en passant . O ser humano desta vez é o protagonista das cenas, sua presença por vezes é apenas sugerida, noutras rouba a cena totalmente, constituindo a série numa crônica visual de recortes da realidade, do cotidiano, do homem contemporâneo, em suas dimensões poéticas, políticas e social.”
Tchello d’Barros
5 - SERVIÇO
Quê: Exposição de fotografias Confesso Que Vi
Quem: Escritor e artista visual Tchello d’Barros
Quando: 21.07.2011 quinta-feira
Início: 20h
Ingresso: Entrada Franca
Visitação: 22.07 à 31.08.11
Horários: 8 às 18h, seg. à sabado
Local: Galeria Ismael Nery | Corredor da Amazônia
Gen. Gurjão, 253 - Campina - Belém - PA
Texto crítico: Renato Gusmão
Montagem: Equipe Corredor da Amazônia
Curadoria: Karlo Rômulo, o Krom
6 – SOBRE O AUTOR
Tchello d'Barros (Brunópolis SC, 1967) é escritor, artista visual e viajante. Residiu em 12 cidades, percorreu 20 países em constantes pesquisas na área cultural e desde 2010 está radicado em Belém PA, onde produz obras em desenho, pintura, infogravura, fotografia, instalação e poesia visual. Publica textos regularmente em jornais, revistas e sites. Eventualmente ministra palestras, oficinas literárias e cursos de desenho.
Na Literatura, publicou 5 livros de poesia e vários Cordéis. Também publicou contos, crônicas e artigos em mais de 30 coletâneas e antologias. Foi sócio-fundador e presidente da Sociedade Escritores de Blumenau, tendo criado e realizado diversos projetos literários. Foi ainda idealizador e um dos coordenadores do Fórum Brasileiro de Literatura, atualmente na 5ª edição.
Nas Artes Visuais, participou de mais de 60 exposições, entre individuais e coletivas. É curador independente, tendo realizado várias mostras individuais e coletivas. Como designer, desenvolveu criações gráficas para agências de publicidade, desenhos para a indústria têxtil e ilustrações para o meio editorial.
Em Belém, realizou em 2009 a individual de Poesia Visual “Convergências”, na Galeria Graça Landeira, da UNAMA. Em 2011 apresentou no IFPA a individual de fotografias em P&B “Um Mundo Fenomênico”. Atualmente dedica-se a escrever, fotografar e desenhar temas da Amazônia.
7 – CONTATOS
Informações complementares, solicitação de fotos ou agendamento de entrevistas:
Contato c/ o autor Tchello d’Barros: tchellodbarros@yahoo.com.br (91) 8288.9103
Contato c/ o curador Karlo Rômulo: corredordamazonia@gmail.com (91) 3222.5290 e 9623.5320
8 – ANEXOS
- RELEASE - Exposição fotográfica CONFESSO QUE VI - em Belém-PA.doc
- Tchello d'Barros - Acervo Crítico.doc
- Convite virtual - CONFESSO QUE VI - Tchello d'Barros.jpg
- Confesso Que Vi - 01 - TCHELLO D'BARROS.jpg
- Confesso Que Vi - 02 - TCHELLO D'BARROS.jpg
- Confesso Que Vi - 03 - TCHELLO D'BARROS.jpg- Tchello d'Barros
''Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração.'' HENRI CARTIER-BRESSON
sábado, 23 de julho de 2011
PÓS-MODERNIDADE E NOSTALGIA: UM PANORAMA SOBRE A OBRA DE MARCOS SMITH
André Leite Ferreira e Fernando Campos*
Marcos Smith é um exímio boêmio, assíduo freqüentador do meio cultural alternativo da cidade, leia-se, galerias e bares de Belém. Multi-artista extremamente agitado e inquieto, preocupado com as políticas públicas destinadas a cultura e a arte. Músico, artista visual, agitador cultural e fanzineiro, publica entre tantos fanzines: A plebe, uma espécie de jornal-zine distribuído de mão-em-mão que fala de arte e política de forma sarcástica, repleto de humor negro e ironia.
A Exposição, Nostalgia da Pós-Modernidade, série de pinturas que fazem um diálogo com a filosofia pós-moderna da segunda metade do século XX, que, além disso, faz significativas referências a filosofia alemã do final do século XIX, principalmente a filosofia de Nietzsche e Arthur schopenhauer. Estes diálogos e referências podem ser percebidos nas pinceladas nervosas do artista, tendendo para a temática da morte e da confusão existencial e psicológica.
As pinturas de Marcos Smith partem de suas vivências e experiências com o mundo, a cidade, a noite, os romances, o delírio, o êxtase, o caos, as orgias, poéticas urbanas de um delírio pessoal e multicolorido. Filosofia, sexo, psicologia, existencialismo e decadência. Estes são temas recorrentes nos trabalhos do artista que acaba aparecendo nas obras personificado, auto-retratado, não de forma explicita, mas inteligentemente incógnita, porém traduzindo-se para o ponto de vista do público de maneira inteligível, se fazendo enxergar, ser reconhecido e interpretado não cabendo, neste caso, o conceito de auto-retrato convencional, o que veio a torna-se de um modo geral, a sua marca artística, como para submeter a uma comparação livre, basta lembrar Alfred Hitchcock e suas aparições na seqüência inicial de seus filmes.
Marcos Smith pratica uma pintura nervosa e volumosamente onírica, que por momentos fazem lembrar as pinturas impressionistas de Van Gogh, às vezes líricas e insanas, numa perspectiva particularmente poética. Transcendendo os limites radicais entre dadaísmo e surrealismo com cores chapantes, pesadas, figuras estranhas e hibridas e uma poética da fragmentação que dialoga com o caos cultural do pós-modernismo.
A Exposição Nostalgia da Pós-Modernidade traz à tona um artista que atravessou pelo menos duas décadas do cenário cultural alternativo da cidade de Belém. Do Punk ao Dark, passando pela desordem sombria da cidade das mangueiras, Marcos Smith continua produzindo de forma intensa e criativa, porém, permanecendo incógnito como as figuras auto-retratadas em seus quadros, em decorrência da falta de público preparado para a apreensão de eventos que necessitam de ampla referência cultural.
A Exposição Nostalgia da Pós-Modernidade, montada no Espaço Cultural Corredor da Amazônia, é uma oportunidade para se conferir um pouco da produção de arte contemporânea local, pois o contato com a arte é presencial e nunca se restringindo a meios virtuais que distanciam e artificializam as relações de experiência com a obra de arte e principalmente com o artista.
André Leite também participa do Coletivo Multi-linguagens Corredor da Amazônia
A escritura do desejo
O livro de Cabeceira – Um olhar
André Leite Ferreira
Tudo é efêmero e sutil, uma sombra distante na memória e um pequeno gesto de gentileza e carinho, porém, tudo acaba sem exceção. A beleza do gesto acaba, a beleza do homem também, a vida acaba, a palavra.
Vejo de longe o jardim florido e coberto de tédio. Estranhamente insólito é o amor, obscuro, taciturno como só ele pode ser. Visceral e agudo, cheio de desejos e de rancor, uma contradição que se perde no limite do sem fim.
Incendiar o medo não elimina o medo, mas traz mudanças, por vezes esperanças e novos medos. Desejo e loucura sempre se confundem. A realidade se fragmenta. Tempo de estranheza e gozos incomuns, a palavra lavra a terra e a carne.
Entre o corpo e o papel, imagens e sonhos, fuga de si, imagem imaculada do desprezo, guerra dentro da gente, quando nos perdemos nos achamos, para tornarmos a nos perder de novo, buscamos no outro aquilo que somos, então nos perdemos no outro, o desejo, um segredo que mata.
A carne, a pele, o papel ferido pela pena, pelo falo, inútil desejo de anjo, o céu desaba a todo instante, literatura do silêncio. O primeiro modelo de barro, Deus, o teu nome inscrito na pele, o som da palavra carrega o fogo, a chuva lava a rua, as fotografias não fazem sentido, as palavras gritam.
Antes era o verbo, agora, além, a carne e o tédio. A vida muda o tempo todo, eu sei o mundo é estranho, a luz pode cegar, árvores crescem indiferentes, o frio toma conta do meu corpo e já não posso mais pensar em fazer sentido se a essência é absurda, a palavra corta a carne e recria o destino, o abandono.
A rua consome a noite, os vícios, o vazio e o tédio, além da carne a vida corre sempre ilícita, cansaço e caos, o livro não fala de tudo, mesmo quando carrega a vida, mesmo quando carrega a morte, a palavra também morre, a língua está morta, a música calou.
Apenas fragmentos apreendidos no olhar, pois a palavra também vinga, uma vingança poética, mas vingança, a navalha corta a carne, o sangue lava o corpo e acrescenta ao céu uma mancha vermelha. O fogo queima o sonho e o medo toma conta do desejo que louco grita palavras sem sentidos para a multidão, deixando escapar o gozo da escritura que toma conta das ações e do caos.
A palavra cresce, a palavra lavra a terra, a carne e o caos, no meio do jardim cresce incandescente a árvore incendiária do desejo, repetição do sonho. O livro, o corpo, a luz, o sopro, o barro modelado, a escritura de Deus, a tirania do homem, a palavra corta a carne, lava o tédio, recria a VIDA.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Ir mais Além, porém, não há mais Ninguém
André Leite Ferreira
Colapso das máquinas, colapso do homem, metáfora do caos. Fritz Lang, um poeta futurista, dadaísta da imagem no meio do caos e do expressionismo alemão, o grito alucinado de uma geração.
Tecnoburocracia e robotização do homem. Alegorias de um tempo de desesperança. O pós Primeira Guerra Mundial foi um dos momentos mais radicais da Arte, foi um tempo de subversiva criatividade e ação, mas também, um período de niilismo e incertezas.
As máquinas da indústria assumem a cena em função do capital e em detrimento ao homem incapaz de qualquer reação. Os lúditas haviam sido massacrados e o céu cinza predominava. O homem-máquina, o braço da máquina operando a situação, a vida havia perdido o sentido. Porém, o que dizer da obra de um gênio?
Metrópolis é sem sombra de dúvidas, uma obra-prima, não só do ponto de vista teórico, mas também, do ponto de vista técnico, da inovação e autenticidade do próprio realizador que conseguiu ir além da sua época trazendo à tona as nuances de sua criação.
A temática do filme é relevante até hoje principalmente pelo advento do meio técnico, cientifico e informacional, que por sua vez acaba idiotizando as pessoas e engessando as relações sociais reduzindo-as a clicks no teclado de um computador. O consumo é o pai do homem, dito pós-moderno, esse ser quase sem identidade composto apenas de cacos.
Hoje em dia fala-se em capitalismo humanizado, entendemos, porém, que capitalismo humanizado é apenas uma falácia, um eufemismo, já que o capitalismo visa acima de tudo o lucro em detrimento da vida, assim sendo, corroboramos com o pensamento do filósofo argentino Néstor Kohan acerca da idéia de um capitalismo humanizado, quando o filósofo deixa claro que esta idéia é falaciosa demais.
O capitalismo, a máquina e o consumo, empurrando cada vez mais as pessoas para o abismo de uma civilização perdida e solitária. O filme de Fritz Lang, rodado em 1926 já fazia um retrato panorâmico desta sociedade que se quebra cada vez mais, pelo seu egoísmo e ignorância. A solidão, o abandono, o desespero e a morte são certos, todo o resto fica a nosso cargo. Ir mais além, mesmo não havendo mais ninguém, ou ficar na mesma, aquém de tudo.
terça-feira, 5 de julho de 2011
O Caos Dentro da Gente
André Leite Ferreira
Houve um tempo em que a juventude armada de utopia marchava rumo ao horizonte, buscando se desvencilhar das amarras reorganizando seu próprio caos.
Acima de tudo, prevalecia a unidade e a consciência de classe. Tempo em que o movimento estudantil, não só se rebelava como se organizava e lutava de forma coerente para derrubar a estupidez.
Tempo em que as utopias estavam sempre de armas em punho combatendo a apatia e a indiferença quando a filosofia radical fazia sentido. O que dizer do céu que nunca desaba?
- Maiakovski tinha razão!
- Van Gogh tinha razão!
E todos os loucos que não se renderam tinham razão.
A luz surge e me cega/ eu perdido no meio desse jardim/ longos túneis/ o painel da liberdade é vago/ todo Buda bêbado é um iluminado/ a nossa estrela definha friamente/ e erguemos telas para apreciar a arte/ o cinema foi atropelado no meio do caminho/ se não conseguimos nos erguer, a culpa é tão somente nossa/ é mais fácil se vender por alguns trocados do que lutar e correr o risco de ser odiado, mas eu sou o ódio e a doçura, anjo de asa negra em meio a greve, o terror e a loucura/ um Buda bêbado e revoltado, por isso iluminado/ quase candido e desgraçado.
Todos correm até o shopping, a lua começa a apagar e a doença é certa.
A massa inerte e deformada é um retrato do desespero, do cansaço e do tédio – para nós como resultado, somente a extinção da consciência de classe – paquidermes abobalhados que correm feito baratas tontas de um lado para o outro, sem horizonte, sem luz, sem desejo, apenas a maquina – deusa suprema da corrupção e do massacre.
Como esquecer a ICONOCLASTA imagem de um estudante alucinado e criativo que com sua metralhadora derruba a mediocridade do alto da torre junto a seus companheiros bêbados de liberdade respondendo a altura a seus mestres monstruosos, que sempre torturavam e matavam a alma dos discípulos.
O filme IF, do diretor inglês Lindsay Anderson, lançado em 1968 é um retrato da crueza de uma sociedade tecnoburocrática que usa-se da arma mais poderosa para doutrinar e justificar a violência: A EDUCAÇÃO. Esse retrato bem pode ser visto ainda hoje, onde, mais do que nunca, essa educação trabalha a serviço da alienação massiva das classes estudantis.
Reflexo do histórico momento, abominável, diga-se de passagem, no Brasil, um momento de extrema repressão, violência e ditadura imposta pelo consumo e alienação favorecidos pela máquina medonha do Estado.
Se nos atermos a processos locais como no caso de Belém essa decepção vai além de qualquer esperança, já que a classe estudantil deveria ser uma classe unida, mas, corre dispersa em meio a multidão e o consumo massivo.
IF é um pequeno recorte da revolta que hoje se cala dentro de cada um, um recorte do desejo de viver a vida até o seu extremo, porque, sobreviver não é viver é subviver e se agora está na linha de frente, naquele momento era questionado a todo vapor.
O mal dos tempos, o mal-estar da dita pós-modernidade, mas, querendo ou não querendo, somente na morte seremos iguais, já que, ela, a morte, não tem nenhum preconceito, é livre das amarras e jamais faz distinção ou mesmo abre exceções.
IF é um delírio permanente, totalmente fora de controle. segunda-feira, 4 de julho de 2011
MATÉRIA EXIBIDA NO JORNAL DA NOITE DA TV CULTURA NO DIA 18 DE MAIO
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA - UM MUNDO FENOMÊNICO
DO ARTISTA VISUAL TCHELLO D'BARROS
REALIZADA NO IFPA - CAMPUS BELÉM
DE 13 DE ABRIL A 10 DE JUNHO DE 2011
ORGANIZADA PELO PINDORAMA CINE-EDUCAÇÃO
REALIZADA NO IFPA - CAMPUS BELÉM
DE 13 DE ABRIL A 10 DE JUNHO DE 2011
ORGANIZADA PELO PINDORAMA CINE-EDUCAÇÃO
O PINDORAMA CINE-EDUCAÇÃO AGRADECE A TV CULTURA POR CEDER AS IMAGENS REFERENTES À MATERIA UM MUNDO FENOMÊNICO.
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